memórias da solidão do dia seguinte

E a ti, que foste o companheiro do companheiro,
apontarei o poente do infinito,
ou apenas a luz da tarde em que brilham a rosa e o ouro,
ou apenas a solidão junto ao mar,
ou apenas a notícia do amor
entre as pequeníssimas folhas dos choupos.

A ti, que foste companheiro do companheiro,
apontarei o dia seguinte, um nascente vermelho,
uma nascente, ou apenas o cheiro da água corrente,
ou apenas o lugar do novo primeiro e original encontro
para outra sagração da primavera, outro início de luta.

A ti, que foste companheiro do companheiro,
lerei a sina. Do passado ao futuro,
acácia batida pelo vento ou rasto de fragrância
de louro colhido,
vai devagar, para que, o menino que também és,
te possa seguir.

Ontem, o Alcino deu-me um recado
sobre o Duarte e eu fui ver um antigo discurso
ditolido para o palco de um ginásio como introdução
de “o discurso das águas” cheio de citações
para defender o teatro na escola de que poucos se lembram;
mais tarde radiodifundido pelo José António

2 pensamentos em “memórias da solidão do dia seguinte

  1. Tão belo e afetuoso! Dói, Arsélio, dói muito. Também o esquecimento que pesa sobre o teatro na escola… e outros esquecimentos.

    1. Nunca saberemos como a vida é antes de a vivermos completamente e isso é quando? Vamos indo e vendo nos nós outros como nós.

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