vai andando, vamos andando…

sem pensar sempre sem pensar no passo seguinte vais andando sem parar e sempre procurando o lado correcto do passeio e da passadeira vamos andando e devagar e a parar para ver o lado de onde vem o ar ou para virar as costas ao ar soprado ou para olhar para o chão sagrado que nunca nos custa pisar como se os nossos passos deixassem uma marca que ao chão dissesse alguma coisa nenhuma de nada

se lermos hoje o que dissemos uns aos outros há alguns anos com a emoção da zanga – o desaguisado – não paramos de nos rir da falta de importância desse momento maior que nada

e vamos andando sem parar mais um pouco para cumprir uma decisão maior que o flamingo que pensas que avistaste ao longe antes de perguntar se não podíamos aumentar a visão com o smartphone ou outro binóculo para confirmares que os flamingos nos abandonaram este ano

e eu vou andando sem querer saber da importância da falta do flamingo porque eu gosto mesmo é das pequenas garças que quando dão por mim fazem uma nuvem como se todas tivessem sentido medo da minha sombra passageira

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