à torre

ao longe, a torre.
não ouço, mas podia ouvir.
se não fosse surdo, ouviria o sino da torre.

não o vejo, mas sei que aquela torre não engana
e alberga um ou mais sinos.

não o vejo, nem o ouço, mas sei
que aquela é uma torre sineira.
e isso é tudo o que preciso de saber.
o resto é consequência.
a existência, a prova de vida,
o passeio do cego,
o passeio do surdo,
o passeio da rua.

em tempos, vi a minha rua
pela primavera,
pelo verão,
pelo outono
e pelo inverno.

conheço a minha rua de olhos fechados,
como a palma da minha mão.

gosto muito da minha rua.
já posso gostar sem sentido.

sem sentidos.

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