quando amanhece

amanhecem os patos
na borda da água.

entretanto
na água
uma mulher entra decidida
a depenar o primeiro
pato do dia

e, já cansado da insónia,
um filho de paito conhecido
entra na fila dos clientes
para o leilão dos chapéus.

no mesmo instante,

a multidão dos patos
lança-se à água
no ponto onde comerão

quem os espera com um saco de pão
despedaçado
minuciosamente.

entretanto, liberta, voando
a mão que lhes acenava

migalha a migalha,

gota a gota,
sangrava.

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